O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira que o inquérito que apura fraudes atribuídas aos sócios do Banco Master tramita em “absoluta regularidade” no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. A declaração ocorre em meio a questionamentos internos sobre decisões recentes do magistrado, vistas por agentes da corporação como possíveis interferências na condução da investigação.
Segundo Andrei Passos Rodrigues, a atuação da Corte segue parâmetros institucionais e as apurações avançam de acordo com as determinações judiciais.
Ao comentar o andamento do inquérito, o chefe da Polícia Federal evitou detalhar aspectos operacionais da investigação. “Eu não vou entrar em detalhes operacionais de operações que estejam em andamento. Seja essa ou qualquer outra. Mas é um processo regular. O ministro (Ricardo) Lewandowski comentou na sua aula magna sobre papel do juiz em todos os casos e esse é mais um deles, em absoluta regularidade, que nós seguimos instruindo conforme as determinações dos magistrados”, afirmou.
O inquérito ganhou novos contornos após decisões sucessivas de Toffoli sobre o destino do material apreendido na operação. Inicialmente, o ministro determinou que os itens recolhidos fossem enviados à Procuradoria-Geral da República para extração e análise. Posteriormente, recuou e autorizou a própria Polícia Federal a realizar a perícia, definindo, no entanto, os peritos responsáveis pelo trabalho.
Questionado sobre o grau de autonomia da corporação diante dessas decisões, Andrei Passos Rodrigues destacou a importância da independência investigativa. “Quanto maior autonomia investigativa temos, mais resultados apresentamos e mais fortalecidos saímos. Não só a instrução, mas a sociedade como um todo no enfrentamento do andar de cima do crime organizado”, declarou à imprensa.
O diretor-geral informou ainda que o material apreendido já está sob análise da Polícia Federal, com a extração das provas em andamento. Ele ressaltou o caráter institucional da corporação e a garantia de independência ao longo da atual gestão. “A Polícia Federal é uma instituição de Estado e tem autonomia, que tem sido garantida desde o primeiro dia da nossa gestão pelo governo federal e pelos ministros para que nós façamos o nosso trabalho de polícia judiciária e administrativa da União com isenção e independência como instituição de Estado que somos”, afirmou.
Sobre a oitiva de oito investigados no inquérito, realizada nesta segunda-feira no Supremo, Andrei disse esperar que os depoimentos contribuam para o avanço do processo. Segundo ele, os delegados responsáveis devem formular perguntas com foco na obtenção de informações relevantes para a instrução do caso.
O histórico recente da investigação inclui um episódio de tensão registrado em dezembro, durante uma acareação entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa. Na ocasião, houve um desentendimento entre a delegada responsável pelo caso e um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli sobre o roteiro do ato e as perguntas a serem feitas. O magistrado apresentou uma lista de questionamentos, contestada pela delegada, que sustentou ser de sua competência a definição das perguntas.












