Mostra exibiu 16 curtas-metragens criados com celulares por quase 90 alunos, entre crianças, adolescentes e idosos, em oficinas realizadas em Iranduba e Manaus
A noite de sábado, 2 de maio, foi de cinema, memória, aprendizado e consciência ambiental na Comunidade Católica São Paulo Apóstolo, no bairro Monte das Oliveiras, em Manaus. A Mostra Cine Igarapé reuniu moradores, alunos, familiares e convidados para a exibição de 16 curtas-metragens produzidos pelos participantes do projeto Cine Igarapé, iniciativa que utiliza o audiovisual feito com celulares como ferramenta de educação, expressão artística e transformação social.
Os filmes exibidos são resultado de quatro oficinas de cinema realizadas desde o ano passado na Vila de Paricatuba, em Iranduba, e em diferentes bairros de Manaus, mobilizando quase 90 alunos, entre crianças, adolescentes e idosos da FUnATI – Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade.

Durante as oficinas, os participantes aprenderam todas as etapas da produção audiovisual: da criação do roteiro à produção, passando por noções de atuação, filmagem, captação de som e edição. As atividades foram conduzidas pelos profissionais do audiovisual amazonense e arte-educadores Anderson Mendes, Keylla Gomes, Francy Junior e Adailton Santos.
Com olhar sensível para os territórios onde foram produzidos, os curtas abordaram temas como preservação dos rios e igarapés, memórias afetivas, desperdício de água, descarte irregular de lixo e cuidado com o meio ambiente. As histórias tiveram como cenário o Rio Negro e igarapés importantes de Manaus, como o Igarapé do Franco, na Avenida Brasil; o Igarapé do Quarenta, no Japiim; e o Igarapé do Passarinho, no Monte das Oliveiras.
Além da exibição dos filmes, a mostra também marcou a entrega dos certificados aos alunos da comunidade do Monte das Oliveiras que participaram da oficina, celebrando o encerramento de uma etapa de aprendizado coletivo e valorização das histórias locais.

Para Anderson Mendes, idealizador e gestor do projeto, o Cine Igarapé mostra que o cinema pode nascer dentro das comunidades e revelar olhares potentes sobre a cidade.
“O Cine Igarapé é um projeto que nasce do encontro entre cinema, educação ambiental e território. Quando uma criança, um adolescente ou uma pessoa idosa pega um celular e transforma sua vivência em filme, ela passa a olhar para o lugar onde vive com mais atenção, mais afeto e mais responsabilidade. Esses 16 curtas mostram que os rios e igarapés de Manaus não são apenas paisagens: eles guardam memórias, histórias, problemas e também caminhos possíveis para uma cidade mais consciente”, destacou Anderson Mendes.
Entre os jovens participantes está Artur Gomes, de 14 anos, aluno da oficina no Monte das Oliveiras, que produziu e atuou no curta “A Trave”, filme que aborda o problema do lixo jogado no Igarapé do Passarinho.
“Foi muito legal participar da oficina porque eu aprendi que dá para fazer um filme usando o celular e contando uma história do nosso próprio bairro. No curta ‘A Trave’, a gente quis mostrar que jogar lixo no igarapé prejudica todo mundo. Eu gostei muito de atuar e ajudar a produzir o filme, porque agora eu vejo que o cinema também pode ensinar as pessoas a cuidarem melhor do lugar onde vivem”, contou Artur Gomes.
Ainda no mês de maio, o Cine Igarapé realizará mais duas mostras de resultados: uma às margens do Igarapé do Quarenta, no bairro Japiim, e outra no bairro São Jorge, ampliando a circulação dos filmes produzidos pelos alunos e fortalecendo o diálogo entre cinema, comunidade e meio ambiente.
O Cine Igarapé é um projeto realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, CONEC – Conselho Estadual de Cultura do Amazonas, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Governo do Amazonas, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal. E conta com o apoio institucional da FUnATI – Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Fundação Rede Amazônica, Ykamiabas Produções, MK Produções, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – DANDARA, Branca3 Filmes, Feitoza Mídias e Pauly Produções.












