Início Norte Amazonas Indígena denuncia estupros por PMs em delegacia no interior do AM

Indígena denuncia estupros por PMs em delegacia no interior do AM

Uma indígena da etnia Kokama, de 29 anos e que não teve a identidade revelada, está processando o Governo do Amazonas por ficar nove meses e 17 dias presa na delegacia de Santo Antônio do Içá (a 880 quilômetros de Manaus) junto a homens. Ela relata ter sofrido agressões físicas, morais e estupros praticados por policiais militares e um guarda municipal.

De acordo com o site, exames apontaram marcas no corpo compatíveis com a denúncia. A mulher foi presa em novembro de 2022, quando seu filho tinha apenas 21 dias de vida. Mesmo amamentando, ela conta que foi estuprada na cela até a sua transferência para o Centro de Detenção Provisória Feminino de Manaus, ocorrida apenas em agosto de 2023, onde cumpre pena até hoje.

Po todas as violências sofridas pela indígena, a vítima pede uma indenização de R$ 500 mil por danos materiais e morais. O estado reconhece a legitimidade do pedido mas quer pagar apenas R$ 50 mil, o que a defesa da vítima não aceita.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil, pela Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública e pela PM, que instaurou Inquérito Policial Militar (IPM). Os procedimentos tramitam sob sigilo.

Prisão
A mulher foi presa no dia 11 de novembro de 2022. A polícia foi acionada após uma vizinha denunciar violência doméstica cometida  pelo então companheiro da indígena. Ao ser conduzida à delegacia para registrar queixa, os policiais identificaram que havia contra ela um mandado de prisão da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus.

A indígena foi condenada a 19 anos e 7 meses de prisão por supostamente ter praticado um homicídio ao lado de outra mulher em dezembro de 2018, em Manaus. Ela nega o crime, mas a decisão já transitou em julgado.

Violências
Com a ausência de presídios em Santo Antônio do Içá, ela passou a cumprir a pena na delegacia em uma cela mista. A mulher afirma em depoimento foi vítima de “agressões físicas, abusos morais e, inclusive, abuso sexual e estupro coletivo perpetrados por um grupo de cinco agentes, composto por quatro policiais militares e um guarda civil”. Na época, a guarnição da Polícia Militar funcionava dentro da delegacia.

A transferência da indígena só ocorreu no dia 27 de agosto de 2023. Já em Manaus, um dia depois de chegar à nova prisão, passou por exame de corpo de delito. No laudo, o perito confirma a conjunção carnal e cita marcas de violência na mama direita, abdome e coluna.

UOL

Artigo anteriorVÍDEO: jovem é assaltada por casal enquanto voltava da igreja em Manaus
Próximo artigoOruam se entrega à polícia após mandado de prisão